segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Entrevista com o Sr. Palaia, responsavel pela contratação de Valdivia.

Era julho de 2006. O então diretor de futebol do Palmeiras, Salvador Hugo Palaia, tinha viajado ao Chile para contratar um tal de Valdivia. O clube desembolsou US$ 3 milhões pelo jogador do Colo Colo e aumentou um pouco mais suas dívidas.
Em seu retorno, o dirigente foi muito criticado. Mas, pouco mais de uma ano depois, a resposta foi dada em campo. O meia é um dos astros do Verdão e seu valor na cesta de atletas é de R$ 10,8 milhões. Sua venda para o futebol europeu é quase inevitável.
Em entrevista pelo telefone ao LANCE!, Palaia falou sobre o Mago, sua gestão no futebol e seu novo cargo: diretor financeiro.
Lance! - Ano passado, você foi ao Chile, bancou a vinda do Valdivia e recebeu muitas críticas. Como você observa o atual sucesso dele?
Palaia - Isso faz parte do futebol. Eu já tinha ouvido falar desse jogador antes de contratá-lo. Em 2006, após minha ida para a Alemanha (foi ver jogos da Copa do Mundo), assisti a três jogos dele e vimos que tinha qualidade. Apostei sabendo que ele teria sucesso em São Paulo. Não foi uma aposta no escuro. Não foi um jogador que vimos no DVD. Estou contente por ele e pelo clube. Torço pelo sucesso da equipe. A diretoria está fazendo um bom trabalho e pensando no Palmeiras.
Lance! - Como você vê a possibilidade de o Valdivia sair no final do ano?
Palaia - Especula-se que ele pode sair por cerca de 15 milhões de euros.Isso é bom para o Palmeiras. É um jogador que poderia ter despontado há muito tempo, se não fosse a teimosia do Tite (técnico na época). Ele só entrava aos 27 minutos do segundo tempo. Sempre acreditei na qualidade técnica e no caráter dele. Ele tem uma família maravilhosa.
Lance! - Durante a Copa América deste ano, o Valdivia foi acusado de beber na concentração e acabou punido. Você acredita na história?
Palaia - Isso é conversa fiada. Fiquei oito dias no Chile com o pai dele e nunca vi o Valdivia ingerir álcool. As informações sobre ele eram ótimas. A única coisa que eu temia era a preparação física. No Chile, eles não se preocupavam muito com isso. Depois da contratação do Valdivia, acho que abri as portas para o mercado sul-americano. Já falava que o caminho era esse quando assumi.
Lance! - No final do ano passado você deixou o departamento de futebol e agora está na parte financeira. Como estão as contas do clube?
Palaia - Estão estáveis. A atual diretoria diminuiu a folha de pagamento do clube. Em um futuro próximo, vamos sanar completamente as dívidas. Tenho certeza disso. Antes do término desta gestão, acredito que o presidente Della Monica vai deixar as finanças equilibradas.
Lance! - E sua passagem pelo futebol (em 2005 e 2006)? Foi proveitosa?
Palaia - Analiso como uma passagem boa. Vim imbuído das melhores intenções. Contratamos jogadores de seleção, como o Juninho, o Gamarra. Mas não deu certo. O futebol de hoje tem mais vigor, é mais físico. Atualmente, o Palmeiras tem um time jovem. Se pequei em algo foi na ânsia de dar um título ao clube.
Lance! - Você se arrepende de algo?
Palaia - Não posso me arrepender de nada. Poucos dirigentes no Palmeiras possuem um currículo como o meu. Vou me queixar do quê? Sou muito respeitado na sociedade e querido.
Lance! - Não se arrepende nem mesmo do “cala boca” ao Tite (após uma derrota para o Santa Cruz, no Brasileirão, dia 29/9, o dirigente se desentendeu com o treinador. No final, Tite pediu demissão)?
Palaia - Não me arrependo daquilo que eu faço. A única coisa é que eu acho a palavra cala boca muito forte. Mas naquela época. Hoje já é uma coisa normal. Vejo um ministro mandando o outro calar a boca...
Lance! - E a auto-entrevista (em outubro de 2006, Palaia elaborou as perguntas e respostas durante uma coletiva na Academia de Futebol)?
Palaia - Não me arrependo. Tenho certeza de que todas aquelas perguntas seriam feitas. Mas como tem gente que gosta de sensacionalismo, preferi partir para esse lado.
Lance! - Qual foi o período mais conturbado de sua passagem pelo comando do futebol do Palmeiras?
Palaia - A época que eu recebi mais críticas foi na contratação do Valdivia. Já estávamos vendo as atuações dele havia um bom tempo. Fui ao Chile três vezes para assisti-lo. Vi que tinha uma qualidade técnica maravilhosa. A gozação era enorme. Hoje, está aí. Quando o trouxemos, eu estava pensando em uma operação casada. O Marcinho Guerreiro estava indo para a França (Paris Saint Germain). Quando voltei, ele não foi vendido e assumi a responsabilidade pela compra do Valdivia. Para muita gente foi um absurdo. Hoje, estão aí os frutos. O que me deixa orgulhoso também foi a renovação do contrato do Diego Cavalieri, a contratação do Dininho, a renovação do Wendel, do Francis. Isso tudo.
Lance! - O que você pode falar do Edmundo. Se ainda cuidasse do futebol, renovaria o contrato dele?
Palaia - Não posso falar nada do Edmundo. Quando fui diretor, ele teve um caráter muito firme. Não posso entrar nesse mérito. É um jogador de qualidade, que desequilibra. Mas temos bons substitutos também. O Palmeiras está com jogadores de base subindo. É a filosofia do Cipullo. Acho que é o caminho certo. Ele é um dirigente capaz, muito fino. O Palaia é um pouco mais duro.
Lance! - Como torcedor, tem gostado do trabalho do técnico Caio Júnior?
Palaia - É um bom treinador. Ele uniu o grupo e está fazendo um trabalho bom. Ele indicou bons jogadores, como Caio, Pierre e Valmir. Acho que ele tem de continuar.

Fonte, Lancenet
por:Guilherme Cardoso

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